quarta-feira, dezembro 31, 2025

O Evangelho Segundo a Maçonaria – Uma Analogia à obra de LACAN – O Evangelho Segundo Lacan

 

O Evangelho Segundo a Maçonaria – Uma Analogia à obra de LACAN – O Evangelho Segundo Lacan

Por Pedro Paulo Buchalle Silva – 33º

 

 


Introdução

A obra "O Evangelho Segundo Lacan" apresenta uma leitura filosófico-psicanalítica do Evangelho de João, transformando o texto bíblico em uma reflexão sobre o sujeito, a linguagem e o desejo. Lacan, ao reinterpretar essa escritura, fornece uma perspectiva que evidencia a complexidade do inconsciente, da linguagem e da subjetividade, conceitos que são essenciais na prática psicanalítica.

Por outro lado, a maçonaria, enquanto tradição iniciática e filosófica, possui seus próprios preceitos e ensinamentos centrados no aprimoramento moral, na busca pela sabedoria e na compreensão dos mistérios do universo e do homem. Seus rituais, símbolos e princípios norteadores promovem uma jornada de autoconhecimento, ética e fraternidade.

Este trabalho propõe estabelecer um paralelo entre a leitura lacaniana do Evangelho e os preceitos maçônicos, buscando identificar pontos de convergência e divergência, sobretudo no que diz respeito à compreensão do sujeito, à busca de sentido e à via do conhecimento. Ao analisar esses elementos, pretende-se refletir sobre as possíveis inter-relações entre o discurso psicanalítico e a filosofia maçônica, destacando suas contribuições para uma compreensão mais aprofundada do homem e de seus mistérios internos.

O Evangelho, para o maçom, não é apenas uma escritura revelada, mas a expressão simbólica do processo de iluminação da consciência. Assim como o Evangelho anuncia a Boa Nova do Reino de Deus que se manifesta dentro do homem, a Maçonaria revela o caminho da construção do Templo interior — o Reino do Espírito edificado com as pedras da virtude, da sabedoria e do amor. Ambos se unem num mesmo desígnio: libertar o homem das trevas da ignorância e reconduzi-lo à luz da Verdade.

Quando o aprendiz penetra pela primeira vez no Templo, ele revive o mistério da criação narrado nas Escrituras. Vem das trevas do mundo profano e busca a luz que o instrui, do mesmo modo que o Evangelho conduz o ser das sombras do pecado à claridade da graça. Naquele instante simbólico, o neófito é como Adão recebendo o sopro divino, ou como o Cristo ao emergir das águas do Jordão — um homem que desperta para o Espírito. A iniciação é o batismo da consciência, o começo da regeneração interior.

O Evangelho ensina que o Reino de Deus está dentro de nós; a Maçonaria responde que o Templo de Salomão deve ser reconstruído no coração do homem. Ambos falam da mesma obra: a restauração da harmonia perdida, a reintegração do ser na unidade do Amor Divino, pois o Amor é a lei que sustenta tanto o Cristo quanto o Maçom. No Evangelho, o amor é andamento; na Maçonaria, é princípio universal — a Fraternidade que faz de todos os homens filhos de um mesmo Pai.

A parábola evangélica e o símbolo maçônico são dois espelhos que refletem a mesma luz. Quando o Cristo fala em parábolas, fala à inteligência velada; quando o Mestre Maçom instrui por símbolos, fala à alma desperta. Ambos sabem que a Verdade não se impõe, revela-se. Por isso, cada grau, cada rito, cada palavra é uma centelha da mesma Luz, adaptada à capacidade do discípulo. E é nesse labor silencioso e contínuo que o Maçom aprende a transformar o chumbo da ignorância no ouro da sabedoria em verdadeira alquimia espiritual.

Toda iniciação é uma morte. Não a morte que finda a existência, mas aquela que liberta o espírito do peso da ignorância. Assim como o Cristo foi ao Calvário para que o homem renascesse em espírito, o Mestre Maçom desce simbolicamente ao túmulo para reencontrar, nas profundezas de si mesmo, a Luz que nunca se apaga. Essa descida não é punição, mas graça: é no silêncio do sepulcro interior que se escuta o eco do Verbo eterno.

O drama do Hiram não é senão o reflexo do mistério pascal: o justo traído pela inveja e pelo orgulho dos ignorantes, que, ao cair sob o golpe das paixões humanas, testemunha o poder redentor da Verdade. Hiram morre, mas não é vencido; Cristo é crucificado, mas não é derrotado. Ambos renascem na consciência dos que compreendem o significado do sacrifício — a morte da matéria para que o Espírito viva.

No instante em que o Mestre é elevado, repete-se o milagre da manhã de Páscoa: o túmulo vazio torna-se símbolo de vitória, e a morte, instrumento da vida. A ressurreição não é um evento histórico, mas um estado de consciência. O homem ressuscita sempre que vence o medo, o egoísmo e a ignorância; e cada vitória sobre si mesmo é uma aurora espiritual. O Maçom que assim se ergue torna-se verdadeiramente um Filho da Luz — e sua vida passa a ser o testemunho silencioso de que o Amor é mais forte que a morte.

O Evangelho, ao narrar a Ceia, mostra o Mestre repartindo o pão e o vinho como símbolos de comunhão. Na Loja, esse gesto se prolonga no Banquete Fraternal, onde os Irmãos, em torno de uma mesa comum, celebram a unidade do espírito que transcende as diferenças. Não há distinção entre o sábio e o aprendiz, o rico e o pobre, o que ensina e o que aprende; todos partilham o mesmo pão, que é o fruto do trabalho, e o mesmo vinho, que é a alegria da fraternidade.

O Banquete é o prolongamento ritual do Evangelho vivido. O pão é o corpo da obra — o trabalho que alimenta a alma; o vinho é o sangue da palavra — o verbo que vivifica. Quando os Irmãos se unem na Cadeia de União, reconstituem o círculo sagrado que simboliza a unidade da Criação. Nesse instante, as diferenças desaparecem, e o Amor Fraterno torna-se a única Lei. A Loja converte-se em Cenáculo, e o mundo profano, em campo de missão, pois o Evangelho não se limita às paredes do Templo e se realiza no mundo, onde cada ação justa é uma oração silenciosa e cada gesto de bondade, um ato de culto ao Grande Arquiteto. O verdadeiro iniciado não busca recompensas nem reconhecimentos; trabalha em silêncio, como o construtor invisível que prepara o alicerce de uma obra eterna. Sabe que o Templo de Salomão não foi erguido por pedras inertes, mas por corações ardentes de fé, e que o mesmo fogo deve arder dentro de si para que a Luz não se extinga.

Quando o Maçom compreende plenamente o sentido de sua jornada, percebe que toda a sua vida é um evangelho em construção. Cada grau, um capítulo; cada símbolo, uma parábola; cada experiência, uma lição de humildade e perseverança. O Evangelho e a Maçonaria convergem, então, no mesmo princípio: o de que o homem é chamado a transformar o mundo começando por si mesmo.

E assim, no final da Obra, quando o Templo interior se completa, o Iniciado contempla, em silêncio, a Nova Jerusalém — não como uma cidade distante, mas como o estado luminoso da alma que reencontrou a harmonia com o Criador. É o retorno à Unidade, à Casa do Pai, onde todas as colunas convergem para o Amor, que é a única luz que permanece.

O homem regenerado não se gloria porque compreende que nada construiu sozinho, e sim, que foi instrumento nas mãos do Grande Arquiteto, pedra entre pedras, elo entre elos. Sua recompensa é o próprio serviço, e sua alegria, ver os Irmãos iluminados pelo mesmo Sol da Verdade.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este trabalho busca realizar uma análise comparativa entre a obra "O Evangelho Segundo Lacan", que reinterpretou o evangelho de João sob a perspectiva da psicanálise lacaniana, e os ensinamentos maçônicos, que se fundamentam na busca pelo autoconhecimento, na moralidade, na espiritualidade e na utilização de símbolos e rituais como ferramentas de transformação pessoal. A partir da leitura lacaniana, elementos como o desejo, a linguagem e a constituição do sujeito aparecem como essenciais para compreender a condição humana, marcada por uma lacuna, por uma busca incessante por sentido e por uma relação inevitável com o desejo e com sua ausência. Por outro lado, a Maçonaria propõe que, por meio de rituais, símbolos e princípios éticos, seja possível crescer moralmente, elevar-se espiritualmente e alcançar uma maior compreensão de si mesmo, promovendo assim uma evolução contínua do indivíduo.

O trabalho está organizado em oito capítulos. O primeiro deles faz uma análise da leitura lacaniana do evangelho de João, abordando conceitos fundamentais como o inconsciente estruturado como linguagem, a importância do desejo e a constituição do sujeito a partir da cadeia de significantes.

Em seguida, o segundo capítulo destaca os preceitos e fundamentos da Maçonaria, seus símbolos e rituais, enfatizando seu papel na jornada de autoconhecimento e na formação de uma ética de vida.

O terceiro capítulo discute, de forma comparativa, a visão de Lacan e da Maçonaria sobre o homem, o desejo e a busca de sentido: enquanto Lacan aponta para a impossibilidade de preencher a lacuna da falta, a Maçonaria acredita que há um caminho de superação possível através do esforço consciente.

O quarto capítulo aprofunda o papel da linguagem, dos símbolos e dos rituais na constituição da subjetividade, destacando as convergências entre a estrutura do significante lacaniano e as experiências simbólicas maçônicas, além das diferenças na sua abordagem sensorial e lógica.

No quinto capítulo, é explorada a relação entre ética, liberdade e o percurso do iniciado, evidenciando que em ambos os sistemas há uma valorização da responsabilidade pessoal e do exercício da autonomia moral e espiritual, embora cada um proponha caminhos distintos para alcançá-la.

O sexto capítulo faz uma análise dos impasses e pontos de convergência, destacando as limitações de cada perspectiva e suas possibilidades de complementaridade, buscando responder se esses sistemas podem dialogar em torno de uma visão mais integrada do sujeito.

Finalizando o percurso, a conclusão sintetiza os principais pontos abordados, reforçando a ideia de que tanto a psicanálise quanto a tradição maçônica oferecem contribuições valiosas para entender a condição humana: ambas reconhecem que o desejo, o símbolo, a liberdade e a ética são elementos fundamentais na jornada de autoconhecimento e aprimoramento interior. Cada uma, com suas diferenças metodológicas e filosóficas, amplia a compreensão de que o homem é uma criatura em constante busca, cujos limites podem ser compreendidos e, em alguma medida, transcendidos por meio do esforço consciente, do reconhecimento de suas lacunas e do uso responsável dos símbolos e da linguagem.

 

 

Capítulo 1: Lacan, o Inconsciente e o Evangelho de João - A leitura lacaniana do Evangelho de João

 

Lacan, ao reinterpretar o Evangelho de João, desloca o foco do texto bíblico para uma leitura que privilegia o papel do desejo e da linguagem na constituição do sujeito. Em sua leitura, o Evangelho revela-se não apenas como uma narrativa religiosa, mas como uma expressão da estrutura mítica do desejo humano e da busca pela verdade última. Para Lacan, João apresenta um discurso que aponta para a interiorização de uma verdade que só se realiza na linguagem e na subjetividade do indivíduo.

Lacan enfatiza que o sujeito não é uma essência fixa, mas uma construção decorrente da entrada na cadeia de linguagem. O sujeito é dividido, marcado pela falta e pela busca incessante por completude, um desejo que nunca se realiza plenamente. A linguagem, nesse sentido, não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas o espaço onde o sujeito se constitui — um espaço de metáforas, símbolos e significantes que dão forma à sua identidade.

O desejo, por sua vez, é o motor da vida psíquica, sempre insatisfeito, pois está ligado à falta que o estrutura o sujeito. Em "O Evangelho Segundo Lacan", podemos entender que a narrativa do evangelho funciona como uma metáfora da busca do homem por sentido, pela verdade e pelo absoluto, que nunca são completamente alcançados. Essa busca é fundamental para compreender a condição humana sob a ótica psicanalítica.

Para Lacan, o inconsciente funciona como uma linguagem — ele é estruturado como uma língua, repleto de significantes que operam na formação do sujeito. Essa ideia rompe com concepções tradicionais de um inconsciente meramente reativo, apresentando-o como um sistema de signos que determina nossos desejos, percepções e ações. Dessa forma, o que é dito no evangelho, na narrativa de João, pode ser interpretado como uma cadeia de significantes que revelam a condição do homem: seu desejo constante, sua busca por reconhecimento e a sua jornada de autoafirmação.

A fala de Jesus, no Evangelho, torna-se uma um significado mais profundo, uma espécie de discurso que aponta para a experiência do sujeito diante do desejo e da ausência deste. Para Lacan, o sujeito se reconhece na linguagem, não na essência, e no evangelho isso se manifesta na trajetória de Jesus — figura que, ao propor a revelação de verdades, também revela a estrutura do desejo humano.

Lacan afirma que o desejo nunca é plenamente satisfeito, pois ele está ligado à falta. No evangelho de João, há uma forte presença do desejo de reconhecimento e de compreensão, sobretudo na busca de Jesus pelo homem e na sua relação com os discípulos. O desejo, como apresentado por Lacan, é um desejo de diferenças, de encontro com o outro que possa preencher a falta, embora isso seja uma ilusão, pois essa ausência será sempre insaciável. Jesus, neste contexto, pode ser visto como uma figura que encarna esse desejo de comunicação, revelando que a verdadeira questão reside na relação do homem consigo mesmo, na sua busca incessante por sentido. Assim, o evangelho não é apenas uma mensagem de salvação, mas uma metáfora da condição de desejo infinito que estrutura o ser humano.

 

Capítulo 2: Os Preceitos e Ensinamentos Maçônicos - Introdução à Maçonaria

A Maçonaria é uma fraternidade iniciática com raízes que remontam às guildas de pedreiros medievais, posteriormente transformando-se em uma organização filosófico-espiritual dedicadas ao aprimoramento moral e intelectual de seus membros. Seus princípios incluem a liberdade, a igualdade, a fraternidade e a busca pela verdade, valores esses que permeiam seus rituais, símbolos e ensinamentos.

Historicamente, a maçonaria funciona como uma escola de sabedoria, promovendo a reflexão sobre o sentido da vida, o autoconhecimento e a evolução espiritual de seus iniciados. Seus mistérios e símbolos, muitas vezes, remetem ao percurso do indivíduo na jornada de autodescoberta, buscando a luz (conhecimento) que irá iluminar seu caminho.

Os fundamentos maçônicos estão enraizados na busca de um entendimento mais profundo do ser humano e do universo, considerando o homem uma criatura em constante desenvolvimento. Entre seus preceitos destacam-se: Liberdade de pensamento e de expressão; Igualdade de direitos entre os irmãos; Fraternidade universal; Tolerância e respeito às diferenças; Busca da verdade e do autoconhecimento. Esses princípios orientam a conduta moral do maçom e incentivam a reflexão sobre suas ações, sentimentos e intenções.

A propósito da expressão “Busca da sua verdade e do autoconhecimento”, é preciso entender este sentido de “sua verdade” no contexto. A Maçonaria reconhece que a verdade começa de forma subjetiva, pessoal e interior, mas não permanece isolada. Ela se transforma em algo construtivo e universal quando guiada pela ética, pelo estudo e pela prática da fraternidade. A subjetividade inicial não é um problema, mas sim o ponto de partida de uma jornada de aperfeiçoamento contínuo.

O homem entra na Maçonaria como uma pedra bruta, ainda inacabada, cheia de arestas e imperfeições, carregando consigo uma percepção limitada da verdade. No início, tudo é confuso; suas crenças, ilusões e preconceitos obscurecem a luz que busca. O templo que habita não é apenas de pedra e madeira, mas é também interior, refletindo sua própria consciência e experiência de vida. Cada ritual, cada estudo simbólico e cada reflexão ética funcionam como ferramentas sutis que trabalham sobre essa pedra bruta, polindo suas superfícies e revelando facetas da verdade que antes estavam ocultas. A busca é pessoal, subjetiva, pois, cada maçom sente e percebe a luz de modo próprio, mas nunca solitária. Há princípios universais — a justiça, a fraternidade, a caridade, o respeito — que orientam esse trabalho, evitando que a subjetividade se transforme em relativismo vazio. À medida que se aprimora, a pedra começa a se harmonizar com as demais, cada superfície lapidada refletindo fragmentos da luz central do templo, a verdade maior que transcende o individual. E é nesse diálogo silencioso entre o esforço pessoal e a ética universal que o homem descobre que sua verdade, embora pessoal, encontra sentido e plenitude apenas quando aplicada em benefício do todo, erguendo o templo não apenas em pedra, mas na própria vida, na convivência fraternal, na prática do bem. A verdade, assim, não é um ponto fixo, mas uma jornada contínua, uma luz que se revela gradualmente, convidando cada maçom a polir incessantemente sua pedra e, ao fazê-lo, iluminar o caminho de todos.

Seus símbolos funcionam como instrumentos de transformação, auxiliando o iniciado a compreender suas próprias limitações e potencialidades. Assim como na psicanálise lacaniana, onde a linguagem e os símbolos revelam o inconsciente, os símbolos maçônicos operam na comunicação de verdades internas, promovendo a maturação moral e espiritual.

Na Maçonaria, os símbolos e os rituais desempenham um papel fundamental na jornada de auto aperfeiçoamento do iniciado. Eles funcionam como linguagens visuais e sensoriais que facilitam a compreensão de conceitos complexos relacionados ao crescimento interior, à moralidade e à busca por verdade. Por exemplo, a Pedra Bruta simboliza o estado inicial do ser humano, imperfeito, cheio de limitações e potencialidades ainda não desenvolvidas. Por meio do trabalho simbólico nos Rituais, essa pedra é lapidada, transformando-se na Pedra Polida, que representa o indivíduo aperfeiçoado, consciente de suas imperfeições e capaz de atuar com mais ética e sabedoria.

 

Outro símbolo central é a Luz — representa o conhecimento, a iluminação espiritual, a clareza de pensamento e a compreensão dos mistérios do universo. Assim como Lacan assinala a importância da linguagem e dos signos na formação do sujeito, os símbolos maçônicos atuam na comunicação de verdades que não podem ser plenamente interpretadas através do raciocínio racional, mas que demandam uma compreensão simbólica e intuitiva.

A utilização do simbolismo na Maçonaria assemelha-se à função dos significantes na teoria lacaniana. Ambos operam na estrutura da linguagem e do inconsciente, atuando como meios de acesso ao interior do sujeito. Assim como Lacan afirma que o indivíduo se constitui através da cadeia de expressividades, o iniciado, ao manipular os símbolos maçônicos, busca uma compreensão mais profunda de si mesmo, desvelando suas limitações e potencialidades ocultas.

Os rituais, por sua vez, proporcionam uma experiência de identificação e transformação subjetiva, induzindo o iniciado a uma nova compreensão de sua condição. Essa experiência de "luz" e autoquestionamento remete à construção do "eu", através do trabalho simbólico que, na psicanálise, leva à formação do homem novo — aquele que conhece suas próprias limitações e busca transcendê-las.

 

Capítulo 3: O Homem, o Desejo e a Busca de Sentido

Tanto na psicanálise lacaniana quanto na filosofia maçônica, a figura do homem é centralizada na busca por sentido, por verdade e por realização pessoal. Enquanto Lacan foca na constituição do sujeito a partir do desejo e da linguagem, a Maçonaria enfatiza a jornada moral e espiritual de autoconhecimento e aprimoramento do indivíduo. Este capítulo procura estabelecer os pontos de convergência entre essas perspectivas, explorando como cada uma compreende a condição humana e sua incessante procura pelo significado.

 

Lacan reforça que o homem, enquanto sujeito, é um ser dividido, marcado pelo desejo ou sua ausência. O desejo humano é constitutivo dessa lacuna, uma vez que o sujeito nunca alcança a completude plena — sua essência é marcada pela falta, uma ausência que o move a buscar o sentido de si mesmo. O desejo, portanto, é uma força que não cessa, sempre insatisfeita, projetando o homem na direção de objetos, conceitos ou verdades que o façam sentir-se mais completo. A visão maçônica do homem está também focada no seu potencial de transformação e evolução moral. O verdadeiro maçom é aquele que busca melhorar-se continuamente, refletindo sobre suas próprias limitações e aspirando à perfeição moral, ética e espiritual. Para a Maçonaria, o homem é um ser em construção, que deve conquistar o autoconhecimento como forma de ascender espiritualmente e alcançar a Luz, ou seja, a sabedoria plena.

 

Lacan cristaliza que o desejo é uma força que nasce na falta, um movimento que nunca atinge satisfação definitiva. Sua teoria aponta que o desejo está ligado à linguagem e ao simbólico, sendo uma expressão da busca do sujeito por aquilo que está além de si, uma incessante procura por reconhecimento, amor ou sentido. O desejo lacaniano é, portanto, uma condição inerente à existência humana, uma força que molda suas ações e sua relação com o outro. Embora a Maçonaria não trate explicitamente do desejo sob uma perspectiva psicanalítica, ela valoriza a busca pessoal por conhecimento, iluminação e auto aperfeiçoamento. Nesse sentido, a vontade de evoluir é uma expressão do desejo de transcendência, de superar as próprias limitações morais e espirituais. Embora essa busca não seja marcada pela falta ou insatisfação constante, ela incorpora um desejo de plenitude, de maior compreensão do universo e de si mesmo.

 

A Busca de Sentido

O ser humano está condenado a buscar sentido na linguagem, na relação com o outro e no próprio desejo. Essa busca é eterna, pois ela está enraizada na estrutura do inconsciente, que não se realiza com a simples aquisição de conhecimentos ou objetos, mas na compreensão de seu próprio desejo e na vivência do simbólico. Na tradição maçônica, a busca de sentido é compreendida como uma jornada de autoconhecimento e transformação moral. O iniciado é convidado a refletir sobre seu papel no mundo, suas imperfeições e seu potencial de ascensão espiritual. O caminho é marcado por rituais e símbolos que representam etapas dessa busca, culminando na iluminação interior e na compreensão de sua missão na vida.

 

Ambas as perspectivas apontam que o homem não é uma entidade completa, mas um ser em constante transformação, movido por uma força interna — o desejo ou a aspiração — que o impulsiona a procurar maior sentido, compreensão e perfeição. Enquanto Lacan foca na estrutura do desejo e na linguagem como mediadores dessa busca, a Maçonaria privilegia os símbolos e rituais como instrumentos que facilitam esse processo de descoberta e aprimoramento. Seja na psicanálise ou na tradição iniciática, a figura do homem também se revela como um buscador, cuja jornada interior é marcada por conflitos, descobertas e a constante tentativa de preencher as lacunas de sua existência.

Na trajetória do ser humano, tanto na psicanálise quanto na Maçonaria, a busca pelo sentido é uma constante que atravessa toda a existência. Essa jornada, por sua vez, é marcada por um conflito interno — entre a lacuna do desejo lacaniano e o ideal de perfeição moral e espiritual na tradição maçônica.

O Desejo é Uma Força que não cessa. Lacan enfatiza que o desejo nasce de uma falta fundamental, que estrutura a subjetividade. Essa falta não se preenche nunca, sendo a origem de toda a movimentação do sujeito em busca de algo que o complete ou reconheça. Para Lacan, o desejo é aquilo que escapa à captura plena de qualquer objeto, pois seu alicerce está na ausência de uma completude total. Na analogia com os textos do evangelho de João, essa busca incessante por sentido é refletida na trajetória de Jesus, que apresenta ao homem uma mensagem de esperança, mas também de reconhecimento de sua condição de ausência e desejo. Como Jesus reiteradamente aponta, a verdadeira satisfação não se encontra nas coisas materiais, mas na compreensão de que a busca faz parte da condição humana.

Na perspectiva maçônica, esse desejo de evolução espiritual é interpretado como uma vontade de ascensão e iluminação, um anelo por conhecer as verdades maiores do universo e de si mesmo. Ainda que a tradição não reduza a busca à insatisfação, ela propõe que a realização plena depende do esforço contínuo de autoconhecimento e de aperfeiçoamento moral. Assim, o desejo é visto como a força motriz que impulsiona o iniciado a contemplar para entender a "Luz", símbolo máximo de sabedoria e iluminação espiritual, pois quer na psicanálise quanto na tradição maçônica, a busca por sentido é uma jornada interior. Para Lacan, essa procura é uma tentativa de preencher a falta por meio da linguagem, dos significantes, dos objetos ou das experiências que possam dar sentido ao desejo. Entretanto, essa falta nunca pode ser completamente satisfeita, levando o sujeito a um movimento permanente de desejo e de busca.

A busca de sentido é explicitamente uma jornada do iniciado rumo ao autoconhecimento e à iluminação no entendimento maçônico. Através de rituais, símbolos e ensinamentos, o maçom procura compreender suas próprias limitações e potencialidades, buscando conquistar a liberdade e a sabedoria interior. Segundo a tradição, o sentido da vida está na evolução moral e na esperança de alcançar o grau máximo de perfeição humana — a iluminação total.

Ambas as visões – maçônicas e psicanalíticas - portanto, concordam que o ser humano é um buscador perene, e que sua existência é impulsionada por uma força interna: o desejo ou a aspiração. Em Lacan, essa força é um motor que nunca se realiza completamente, uma ausência que impulsiona o sujeito à busca incessante; na Maçonaria, ela é um ideal de perfeição e de verdade que motiva a jornada iniciática.

Contudo, há diferenças importantes: enquanto Lacan enfatiza a insatisfação radical do desejo enquanto estrutura de constituição do sujeito, a Maçonaria busca uma espécie de superação dessa insatisfação, propondo que a construção moral e espiritual levará o homem à realização de sua potencialidade máxima, onde ambos entendem que essa jornada é vital para a formação da identidade pessoal e da evolução da humanidade.

 

Lacan sustenta que o desejo é uma construção do inconsciente, que nasce do Significante Primordial da "falta". Essa falta não é uma ausência material, mas uma ausência simbólica, uma impossibilidade de plenitude que marca a existência de todo o sujeito. O desejo, assim, não é uma simples vontade de possuir objetos, mas uma demanda que nunca se satisfaz, deixando o homem eternamente na procura de algo que lhe escape, onde a busca de sentido está relacionada ao reconhecimento da própria falta e ao esforço para simbolizá-la na linguagem. Essa jornada é uma travessia do sujeito pelo comprimento da cadeia significante, onde cada significante ajuda a elaborar a narrativa de si mesmo. Contudo, o próprio nome diz: a busca por sentido é uma jornada de sofrimento, pois ela nunca termina, sempre apontando para uma verdade que permanece fora do alcance.

Na narrativa Religiosa, a figura de Jesus é interpretada por Lacan como uma espécie de símbolo desse desejo que busca algo além do material, uma verdade que transcende as aparências temporais. Jesus revela ao homem que a verdadeira saciedade não está na posse, mas na compreensão de sua própria condição de falta, de desejo e de busca.

Na Maçonaria, a busca por luz, entendimento e perfeição também é marcada por essa insatisfação inerente à condição humana. O iniciado é convidado a um constante esforço de autoconhecimento, na tentativa de superar suas limitações morais e espirituais. Embora essa busca seja voltada para a realização do potencial humano, ela também reconhece que essa perfeição é uma meta a ser continuamente perseguida, pois a plenitude definitiva estaria além da condição humana, jornada que se manifesta na peregrinação do iniciado através de símbolos, rituais e estudos. Através deles, busca-se compreender questões profundas como a moralidade, a liberdade e o destino, sempre reconhecendo que o verdadeiro sentido da vida está na contínua elevação moral e espiritual. Assim, o sofrimento e o esforço são vistos como componentes essenciais desse percurso, onde o autoconhecimento é uma metáfora de trabalho constante.

 

 

Para Lacan, as perspectivas reconhecem que a condição humana é caracterizada por uma crise permanente de sentido, e essa crise é uma condição estrutural do sujeito, que nunca se dispõe de uma resposta definitiva, mas se constrói na busca incessante por significado, na linguagem e no desejo. Para a Maçonaria, a crise de sentido também é o ponto de partida para a jornada espiritual. O iniciado, confrontando suas próprias limitações, busca uma verdade maior, que só será adquirida por meio do esforço moral, do estudo e da convivência fraterna. Ambas abordagens, portanto, entendem que a realização do homem não é um estado final, mas um processo de constante evolução.

 

A união entre as duas visões evidencia que, embora partindo de abordagens distintas — uma psicanalítica e outra iniciática — ambas compartilham a compreensão de que a essência da condição humana é uma busca constante por sentido, marcada por um desejo impossível de plena realização. Essa busca é uma condição “sine qua non” para o desenvolvimento moral, espiritual e psicológico do indivíduo. Por fim, entender essa relação amplia nossa compreensão sobre a importância de reconhecer a própria falta — seja na linguagem ou na moral — como condição de crescimento. A busca de sentido, longe de ser um fracasso, é uma oportunidade de evolução contínua, uma jornada que define a própria existência.

 

 

Capítulo 4: Linguagem, Rituais e Simbolismo

 

A linguagem é um elemento central na constituição do sujeito em Lacan, assim como os símbolos e os rituais desempenham papel essencial na tradição maçônica. Ambos os caminhos utilizam recursos simbólicos para promover a transformação interior e facilitar a compreensão de realidades que vão além do racional.

No presente capítulo, investigaremos como a linguagem estrutura a subjetividade em Lacan e como os símbolos e rituais funcionam na Maçonaria, ressaltando suas funções de mediação, transmissão de verdades ocultas e estímulo ao autoconhecimento. Ao estabelecer essas conexões, evidenciaremos a importância do simbólico na construção de sentidos e na promoção de mudanças internas.

 

No Evangelho de João reinterpretado por Lacan, evidencia-se essa relação entre linguagem e verdade. As palavras de Jesus e suas metáforas representam dispositivos simbólicos que convidam à compreensão do mistério da existência, revelando a estrutura do desejo e do inconsciente.

 

Na Maçonaria, os símbolos e rituais desempenham papel de mediadores entre o mundo visível e o invisível. Eles operam como ferramentas de reflexão, de transformação e de transmissão de verdades que não podem ser explicadas somente pelo raciocínio racional.

Por exemplo, o uso do Esquadro, Nível e Compasso, da Pedra Bruta e da Luz são símbolos carregados de significados morais e espirituais. Os rituais, por sua vez, criam momentos de introspecção, de afirmação de princípios e de engajamento emocional, promovendo uma experiência de transformação — uma verdadeira "metáfora da vida", onde o iniciado passa por uma jornada simbólica que reflete sua própria evolução interior.

 

A função do símbolo na Maçonaria é semelhante ao papel dos significantes na teoria lacaniana: ambos atuam como níveis de representação que possibilitam a compreensão de realidades mais profundas, muitas vezes inacessíveis ao raciocínio consciente.

Tanto Lacan quanto a Maçonaria reconhecem que o simbolismo e a linguagem são instrumentos essenciais na constituição do ser humano. Para Lacan, estrutura o inconsciente e molda o sujeito, enquanto para a Maçonaria, os símbolos e rituais são meios de inserir o iniciado na cosmogonia (conjunto de relatos, geralmente míticos, que explicam a origem e a formação do universo, da vida e dos seres humanos) do mundo e de sua própria essência. Ambas as perspectivas destacam que as palavras e os símbolos não são meras etiquetas, mas formas de acesso a verdades mais profundas. São eles que possibilitam a transcendência do racional e do superficial, criando um espaço de entendimento que não se limita ao intelecto, mas que atua na esfera do inconsciente e do espiritual, privilegiando a linguagem discursiva e sua estrutura lógica; já a Maçonaria, aposta em símbolos que remetem a experiências sensoriais, emocionais e intuitivas, tornando o processo de autoconhecimento uma vivência simbólica e ritualística.

 

Tanto em Lacan quanto na Maçonaria, a linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação trivial. Para Lacan, o discurso é a forma de manifestação do inconsciente, que se revela na cadeia de significantes, nas metáforas e metonímias que estruturam nossas falas e pensamentos. Na Maçonaria, o discurso ritualístico e os textos simbólicos funcionam como uma linguagem codificada, que transmite verdades universais profundas por meio de símbolos e procedimentos esotéricos. A diferença crucial reside na atitude: Lacan privilegia a linguagem discursiva, autorreflexiva, que revela o funcionamento do inconsciente, enquanto a Maçonaria aposta na simbologia operativa, que por meio de rituais e símbolos possibilita uma experiência sensorial e emotiva de transformação.

 

Embora Lacan não trabalhe explicitamente com rituais, há uma noção de que certos procedimentos discursivos e práticas de transferência e associação operam como ritos de passagem na estrutura psicanalítica. Esses processos facilitam o acesso ao inconsciente, à linguagem do desejo, e promovem a transformação subjetiva do paciente. Assim, o encontro clínico funciona como um rito de iniciação na compreensão do próprio desejo e da própria fala.

 

Os rituais maçônicos representam passos concretos nessa jornada de autoconhecimento. Cada rito simboliza uma etapa de apreensão de certos princípios — honestidade, fraternidade, busca pela verdade — e atua como um momento de inflexão interior. As cerimônias, muitas vezes, envolvem gestos, palavras e símbolos que remetem a arquétipos universais de transformação, permitindo o ao iniciado experienciar, de modo sensorial, sua própria jornada de mudança.

 

Em ambos os casos, o rito é uma experiência transformadora. Ele rompe a rotina do cotidiano, criando um espaço de reflexão profunda. Ambos também reconhecem que a mudança interior ocorre através de uma espécie de símbolo de passagem, um momento de suspensão que permite ao participante experimentar uma nova compreensão de si mesmo e do mundo. A principal diferença está na natureza dos procedimentos: enquanto na psicanálise Lacan utiliza-se do ato de falar, de escuta e de associações livres, na Maçonaria os rituais são ações simbólicas, corporais e ritualísticas, com um forte componente emocional e sensorial.

 

A relação entre linguagem, símbolos e rituais, em Lacan e na Maçonaria, revela a importância do simbólico na constituição do sujeito. Ambos reconhecem que o entendimento de si mesmo e do mundo acontece por meio de processos que transcendem a lógica racional, envolvendo o corpo, a emoção e o inconsciente.

Ao compreender esses mecanismos, podemos perceber que o símbolo e a linguagem não apenas remetem a uma realidade oculta, mas atuam como veículos de emergência, de transformação e de auto transcendência. Essas vias são complementares e enriquecem a busca do homem por sentido, verdade e plenitude.

 

 

Capítulo 5: Ética, Liberdade e a Jornada do Iniciado

Introdução ao Tema

A ética e a liberdade são pilares fundamentais tanto na Teoria Psichanalítica de Lacan quanto nos ensinamentos maçônicos. Ambos sistemas compreendem que o verdadeiro progresso do homem depende de um compromisso interno com seus princípios e de uma liberdade que se manifesta na autonomia moral e espiritual.

Este capítulo busca explorar como esses conceitos se articulam na perspectiva de Lacan, que relaciona a ética à responsabilidade pelo desejo e à maneira como o sujeito se posiciona diante de sua própria falta, e na visão maçônica, que entende a ética como um vetor de ascensão moral, guiada por princípios universais e pelo livre-arbítrio.


A Ética Lacaniana: Responsabilidade pelo Desejo

Lacan propõe que a ética, em sua essência, está relacionada ao reconhecimento de que o desejo do sujeito é uma força que lhe pertence, uma responsabilidade que ele deve assumir. Nesse sentido, a ética não é uma norma imposta externamente, mas uma pose de liberdade na qual o sujeito decide responsabilizar-se por seus desejos, suas ações e suas consequências.

Ele enfatiza que o sujeito ético é aquele que reconhece sua própria falta, a que o impulsiona, e assume a responsabilidade por ela. Essa postura implica na aceitação de sua condição de desejo e na disposição de atuar de modo autêntico, mesmo diante das limitações e contradições inerentes à condição humana.

A mensagem de Jesus no evangelho de João, reinterpretada por Lacan, também pode ser vista nesse sentido: um convite à responsabilidade de uma conduta autêntica, de viver de acordo com a própria verdade, mesmo que ela envolva angústia ou conflitos internos.

 

A Ética na Maçonaria: O Código do Iniciado

Para a Maçonaria, a ética constitui uma orientação indispensável na trajetória do iniciado. Os princípios de honestidade, fraternidade, tolerância e justiça figuram como fundamentos que devem orientar todas as ações do maçom em sua vida social, moral e espiritual.

A jornada maçônica promove uma auto avaliação constante, um compromisso de aprimoramento moral

 

A Responsabilidade do Sujeito na Perspectiva Lacaniana

Lacan destaca que a verdadeira ética está relacionada à responsabilidade do sujeito perante seu desejo. Para ele, o sujeito é responsável por assumir sua condição de falta — de aceitar que o desejo é uma força que nunca se satisfaz completamente. Essa postura ética implica uma liberdade paradoxal: a liberdade de reconhecer suas limitações, suas falhas e decidir agir de modo autêntico, mesmo diante da impossibilidade de realizar plenamente seus desejos.

Jesus, no evangelho reinterpretado por Lacan, representa esse sujeito responsável. Sua mensagem convida a uma postura de autenticidade, de compromisso com suas próprias verdades, mesmo que isso envolva dificuldades ou resistência. Aqui, a liberdade não é a ausência de restrições, mas a autonomia de agir coerentemente com sua própria condição de desejo, assumindo as consequências de suas escolhas.

A Liberdade na Maçonaria: Autonomia Moral e Espiritual

Para a Maçonaria, a liberdade é uma das principais virtudes do homem em sua trajetória iniciática. Contudo, essa liberdade não é uma licença para agir sem limites, mas uma autonomia responsável decorrente do autoconhecimento e do compromisso moral. O maçom é livre para buscar a verdade, para refletir, questionar e transformar-se, cabendo a ele agir de acordo com seus princípios éticos e morais.

A liberdade maçônica está intrinsecamente ligada à ideia de autodisciplina, de domínio sobre si mesmo e de respeito ao livre-arbítrio. Cada passo da jornada do iniciado é também uma oportunidade de exercer sua autonomia, de decidir por seus valores e de assumir suas ações com responsabilidade.


Convergências e Divergências: Autenticidade e Responsabilidade

Tanto Lacan quanto a Maçonaria valorizam a responsabilidade do indivíduo por sua conduta. No entanto, enquanto Lacan enfatiza a responsabilidade diante do desejo e da falta — uma relação paradoxal de autonomia e aceitação — a Maçonaria valoriza a liberdade como uma virtude a ser cultivada por meio do autoconhecimento, do esforço moral e da disciplina.

Outro ponto de convergência é que ambas as perspectivas veem a responsabilidade como um elemento-chave na construção de um sujeito maduro, capaz de atuar com liberdade e autenticidade. Mais do que uma imposição externa, essa responsabilidade é uma conquista interna, uma expressão de autonomia real.

 

Reflexões finais

A jornada do iniciado, seja na psicanálise lacaniana ou na tradição maçônica, passa pelo reconhecimento de que a ética é uma prática de responsabilidade com o próprio desejo e com o mundo. Essa postura liberta o sujeito de sua condição de passivo e o conduz a uma atuação consciente, autêntica e responsável.

Entender essa relação amplia nossa visão sobre o papel da ética na formação do sujeito, promovendo uma compreensão mais profunda de que liberdade verdadeira não é ausência de limites, mas autonomia de agir com consciência, assumindo as consequências de nossas escolhas.

 


A Diferença entre Liberdade e Licença

Lacan destaca que a liberdade verdadeira exige responsabilidade. Para ele, a liberdade sem restrições, ou licença, leva ao descontrole e à alienação. A liberdade ética implica aprender a reconhecer o limite, a própria falta, e agir de modo a assumir as consequências de seus desejos.

Na Maçonaria, essa distinção também é fundamental. O maçom é livre para buscar o conhecimento e a verdade, mas essa liberdade deve estar balizada pelos princípios morais ensinados na ordem. Assim, a liberdade torna-se uma prática de autocontrole, de disciplina interior, que permite ao iniciado atuar com responsabilidade, procurando sempre o bem maior.

A Jornada de Autodisciplina

Em Lacan

Embora Lacan não trate diretamente da autodisciplina, ele enfatiza que a responsabilização pelo desejo envolve uma forma de disciplina interior. É preciso reconhecer as forças que atuam no inconsciente, aprender a escutá-las e convivê-las, o que implica uma prática constante de compreensão e controle.

Na Maçonaria

A autodisciplina é uma das virtudes centrais na jornada maçônica. Os rituais, os trabalhos e os estudos visam desenvolver essa capacidade de controlar impulsos, de refletir antes de agir, e de pautar o comportamento pelos princípios éticos aprendidos. Assim, o iniciado constrói uma estrutura interna sólida, que lhe garante maior liberdade de escolha e de ação.

Reflexões finais

De ambas as perspectivas, fica claro que a liberdade não é um estado de ausência de limites, mas uma conquista que exige esforço consciente e responsabilidade. Essas duas visões reforçam que o verdadeiro caminho para a liberdade está na maturidade moral, no autoconhecimento e na autodisciplina, que levam à autonomia genuína.

A jornada do iniciado, portanto, é uma trajetória de construção interna, onde ética e liberdade se entrelaçam na conquista de uma vida mais autêntica, responsável e plena. Conhecer esse percurso nos ajuda a entender que a liberdade de agir só é verdadeira quando acompanhada do compromisso com princípios que elevam a condição humana.

A Responsabilidade e a Autonomia

Lacan sustenta que a verdadeira liberdade depende da responsabilidade de reconhecer que o desejo é intrínseco à condição humana. Essa responsabilidade implica admitir que o desejo não pode ser plenamente satisfeito, e, portanto, a liberdade consiste em decidir com autenticidade como se relacionar com essa falta. Assim, o sujeito deve tomar consciência de seu desejo e agir de modo a assumir as consequências de suas escolhas, responsabilizando-se por elas.

Na Maçonaria, essa responsabilidade é entendida como a liberdade de agir segundo princípios morais, com autodisciplina e consciência de suas ações. O iniciado, ao seguir os preceitos éticos da ordem, assume o compromisso de atuar de modo harmonioso com a própria essência e com os outros, promovendo sua evolução moral e espiritual.

A Liberdade Como Conceito de Autossuperação

Em Lacan

A liberdade, na visão lacaniana, não é a ausência de limites, mas a capacidade de atuar dentro dos limites da própria condição, com plena consciência de sua estrutura de desejo e de falta. Essa autossuperação exige que o sujeito reconheça seus limites e os trabalhe, transformando sua própria condição de falta em uma possibilidade de crescimento.

Na Maçonaria

Para os maçons, a liberdade está relacionada ao exercício da autonomia moral e espiritual. O caminho iniciático visa que o maçom conquiste uma maior liberdade de decisão, de pensamento e de ação, mediante a reflexão, o estudo e a disciplina. A liberdade, assim, é uma conquista que decorre do autoconhecimento e do domínio de si mesmo, permitindo ao indivíduo atuar de forma soberana no mundo.

Reflexões finais

Tanto Lacan quanto a Maçonaria enfatizam que a verdadeira liberdade exige uma postura de responsabilidade e de autoconhecimento. Essa liberdade é uma meta a ser constantemente buscada, uma conquista que resulta do esforço individual de reconhecer suas próprias limitações e de agir com ética.

A jornada do iniciado, portanto, é um processo de autodescoberta e de construção interna, onde a responsabilidade pelo próprio desejo e a liberdade de agir de forma autêntica se complementam na busca por uma vida mais plena, ética e digna.

 

 

 

Capítulo 6: Impasses e Convergências

Introdução ao Tema

Embora a psicanálise lacaniana e os ensinamentos maçônicos compartilhem uma visão de que o sujeito é um eterno buscador de sentido — estruturada na relação com o desejo, na linguagem, nos símbolos e na ética —, é importante reconhecer também os limites, as diferenças de abordagem e as possibilidades de integração entre esses campos.

Este capítulo visa explorar esses aspectos, destacando os pontos de contato que enriquecem a compreensão do homem e de sua jornada, ao mesmo tempo em que identifica as distinções fundamentais que os diferenciam.


Impasses entre Lacan e a Maçonaria

A Abordagem do Desejo e da Lacuna

Lacan enfatiza que o desejo é uma estrutura universal, incontrolável, enraizada na falta e na estrutura do inconsciente. Para ele, essa condição é irreversível e constitutiva da condição humana, e sua compreensão exige uma escuta atenta ao funcionamento do simbólico e do inconsciente. A partir dessa perspectiva, a questão central não é a superação dessa falta, mas o reconhecimento e a elaboração dela.

Na Maçonaria, há uma ênfase na superação da ignorância, na conquista de conhecimento, na busca por uma verdade maior através de símbolos e rituais. Através do autoconhecimento e do esforço moral, o iniciado busca transcender suas limitações, alcançando uma forma de plenitude.

Impasse: enquanto Lacan aceita a condição de falta e desejo como inerente ao ser, a Maçonaria propõe a possibilidade de superar essa condição através do esforço consciente e do desenvolvimento moral, o que pode parecer uma abordagem otimista demais para a visão lacaniana, que reconhece a insatisfação estrutural do homem.

A Natureza do Simbólico e do Rituais

Lacan aponta que a linguagem e os signos são mediadores internos do desejo, estruturando a subjetividade de forma inconsciente. Sua preocupação é com a estrutura do inconsciente e com o funcionamento da linguagem na formação do sujeito.

Na Maçonaria, o simbolismo e os rituais representam um caminho de transformação externo, que age sobre o inconsciente através de imagens, gestos, emoções e experiências sensoriais. A ênfase na ritualística e na experiência sensorial pode parecer, em alguns aspectos, mais subjetivista e menos diretamente ligado à estrutura psíquica da linguagem lacaniana.

Impasse: enquanto Lacan estuda a estrutura do inconsciente e a linguagem como instrumentos de compreensão, a Maçonaria usa símbolos e rituais para criar experiências de transformação, que nem sempre têm uma correlação direta com a estrutura psíquica, podendo ser considerados métodos mais pragmáticos ou espirituais.

 

Pontes de Convergência

Reconhecimento do Papel do Inconsciente e do Simbólico

Ambos reconhecem que a formação do sujeito depende do funcionamento do simbólico e do inconsciente, ainda que de formas distintas. Lacan foca nos significantes e na estrutura da linguagem, enquanto a Maçonaria privilegia o papel dos símbolos como ferramentas de autotranscendência.

A Jornada de Autoconhecimento

Para Lacan, acolher o desejo, reconhecer suas origens e assumir a responsabilidade por ele constitui uma forma de liberdade e autenticidade. Para a Maçonaria, o esforço na busca do conhecimento e na prática de rituais é um caminho de autoconhecimento e evolução moral. Ambos enxergam que a transformação interior exige compromisso e disciplina.

O Papel da Responsabilidade Ética

A responsabilidade perante si mesmo e o outro é um elemento central nas duas frameworks. Lacan enfatiza a responsabilidade na assunção do desejo, enquanto a Maçonaria reforça a responsabilidade moral e social como caminho de ascensão espiritual.

 

Divergências Fundamentais

  • Visão do Desejo e da Lacuna: Lacan aceita a falta como uma estrutura irremovível, enquanto a Maçonaria acredita na possibilidade de superação e perfeição.
  • Método de transformação: Lacan privilegia a escuta do discurso e a compreensão do funcionamento psíquico, enquanto a Maçonaria utiliza rituais, símbolos e experiências sensoriais.
  • Abordagem do inconsciente: Lacan investiga a estrutura inconsciente nas palavras, nos símbolos linguísticos. A Maçonaria trabalha com símbolos que atuam na esfera emocional e intuitiva.

Impasses entre Lacan e a Maçonaria

A Natureza do Desejo e a Lacuna

Lacan destaca que o desejo é estrutural, inerente à condição do sujeito, e nasce da falta que o constitui. Para ele, essa lacuna é uma impossibilidade de completude absoluta, uma condição que o homem deve aprender a conviver. Essa visão aceita que o desejo nunca se satisfaça completamente, e que toda tentativa de preenchimento seja, em última análise, uma busca inútil, embora eterna.

Por outro lado, a Maçonaria trabalha com a ideia de que a busca pelo conhecimento, pela luz, pela perfeição moral e espiritual leva à superação das limitações humanas. Na visão maçônica, o caminho é de ascensão, em que o homem, através de esforço e disciplina, pode alcançar níveis mais elevados de compreensão e moralidade, atingindo uma espécie de plenitude.

Impasse: Assim, enquanto Lacan aceita que a falta e o desejo são constitutivos, inalteráveis, a Maçonaria propõe a possibilidade de superá-los por meio do esforço consciente e da ética, o que pode parecer uma esperança utópica para o entendimento lacaniano.

A Estrutura do Significante vs. Os Rituais Simbólicos

Lacan relaciona a formação do sujeito à estrutura dos significantes, que operam na linguagem inconsciente, moldando desejos e identificações. Essa estrutura é invisível, muitas vezes inacessível ao raciocínio consciente.

A Maçonaria, por sua vez, utiliza símbolos e rituais como instrumentos de transformação, atuando na esfera emocional, sensorial e simbólica. Seus rituais realizam uma espécie de metáfora do caminho interior, que mobiliza o inconsciente por meio de figuras e gestos carregados de significado.

Impasse: Lacan preocupando-se com a estrutura linguística invisível, o símbolo maçônico trabalha uma experiência sensorial que, por vezes, não corresponde exatamente à estrutura lógica do inconsciente lacaniano, levando a uma abordagem mais prática e emocional na Maçonaria.


Pontes de Convergência

O Papel do Inconsciente e do Simbólico

Tanto Lacan quanto a Maçonaria reconhecem a importância do simbólico na formação do sujeito. Para Lacan, esse simbolismo está na cadeia de linguagens internas, enquanto a Maçonaria privilegia símbolos arquetípicos que provocam reflexões profundas no inconsciente.

A Jornada de Autoconhecimento

Ambas as trajetórias valorizam o esforço pessoal na descoberta de si mesmo. Lacan propõe que o reconhecimento de sua estrutura de desejo, através da escuta do discurso e da compreensão de suas lacunas, é uma forma de liberdade autêntica. Na Maçonaria, a busca pelo autoconhecimento ocorre por meio de rituais, estudos e práticas reflexivas, que promovem a interiorização dos princípios morais e espirituais.

Responsabilidade

Responsabilidade é outro ponto central. Para Lacan, assumir a responsabilidade pelo desejo e seus desdobramentos é uma condição para uma vida autêntica. Para a Maçonaria, atuar com responsabilidade ética e moral constitui-se em uma ética do compromisso com o próximo e com o próprio aperfeiçoamento.

Divergências Fundamentais

  • A aceitação da falta: Lacan aceita que a falta é constitutiva e irreversível, enquanto a Maçonaria acredita na possibilidade de superar limitações por meio do esforço consciente.
  • Métodos de transformação: Lacan privilegia a escuta da linguagem e a análise do discurso, enquanto a Maçonaria utiliza símbolos, rituais e experiências sensoriais.
  • Visão do inconsciente: Lacan investiga o inconsciente na estrutura da linguagem e do desejo, enquanto a Maçonaria atua na experiência simbólica como uma via de transformação interior.

Apesar de suas diferenças, as duas perspectivas oferecem visões complementares sobre o ser humano. Ambas reconhecem que a busca por sentido, consciência e ética é uma tarefa contínua e fundamental para a realização do homem pleno. A convergência dessas abordagens revela um rico campo de reflexão para o entendimento da condição humana, convidando-nos a explorar o desejo, o símbolo, a ética e a autotransformação como caminhos imprescindíveis de nossa jornada existencial.

 

A Aceitação da Lacuna e do Desejo Inalterável

Lacan destaca que a falta, a lacuna do desejo, é uma condição inalterável, que estrutura a subjetividade e nunca pode ser plenamente preenchida. Para ele, essa insatisfação é uma condição que deve ser reconhecida e encarada com responsabilidade. O sujeito aprende a conviver com ela, assumindo seu desejo e suas limitações, numa postura ética que requer coragem e autoconhecimento.

Na perspectiva maçônica, embora haja reconhecimento de limitações humanas, a busca consciente pela perfeição moral e intelectual sugere uma esperança de superação. Acredita-se na possibilidade de ascensão espiritual através do esforço, da disciplina e do autoconhecimento. Assim, a impostura mais otimista da Maçonaria contrasta com o entendimento lacaniano de que a falta é constitutiva e definitiva.

Impasse: Enquanto Lacan aceita que a lacuna e o desejo não se resolvem, a Maçonaria acredita que elas podem ser transcendidas, levando a uma abordagem mais idealista ou utópica da evolução do homem.

A Estrutura do Significante versus os Rituais Simbólicos

Lacan aprofundou a ideia de que a formação do sujeito é mediada por uma cadeia de significantes invisíveis, que operam na estrutura do inconsciente. Os significantes são elementos que dão forma ao desejo, moldando identidades e subjetividades de maneira inconsciente.

A Maçonaria, por sua vez, utiliza símbolos e rituais que atuam sobre o inconsciente, provocando emoções, inspirações e reflexões que muitas vezes operam no nível emocional e sensorial, além do racional. Seus rituais constituem uma experiência vivencial que busca transformar o iniciado por meio de sessões simbólicas e imagens que ativam topos arquetípicos.

Impasse: Enquanto Lacan privilegia a estrutura linguística e o funcionamento lógico do inconsciente, a Maçonaria privilegia a experiência sensorial e emocional, que nem sempre se restringe às estruturas cognitivas.


Convergências

Reconhecimento da Centralidade do Inconsciente e do Simbólico

Ambos reconhecem que a formação do sujeito está estreitamente ligada ao funcionamento do simbólico. Lacan enfatiza os significantes e as redes linguísticas, enquanto a Maçonaria valoriza a força dos símbolos como veículos de transformação e de compreensão do infinito.

A Jornada de Autoconhecimento

Para Lacan, a escuta do desejo através da linguagem é uma via de autoconhecimento que leva à liberdade ética. Para a Maçonaria, os símbolos e rituais conduzem o iniciado a um caminho de autodescoberta e aprimoramento moral. Ambas representam trajetórias de interiorização e transformação.

Responsabilidade do Indivíduo

A responsabilidade é elemento central em ambos os sistemas. Lacan destaca que assumir o desejo implica uma postura ética sobre o próprio desejo e suas implicações. Na Maçonaria, a responsabilidade moral é conquistada pela prática contínua dos princípios éticos, mediante esforço e disciplina.


Reflexões finais

Apesar de suas diferenças metodológicas, tanto Lacan quanto a Maçonaria oferecem concepções que se complementam: uma vê o desejo como uma estrutura inalterável que deve ser reconhecida e assumida; a outra acredita na possibilidade de transformação e superação por meio do esforço consciente. Ambas revelam que a verdadeira evolução do homem passa pelo autoconhecimento, pela responsabilidade e pela conexão com o símbolo e o desejo.

Resta claro que o caminho para a realização humana pode ser trilhado por diversas vias — seja pela escuta do discurso psicanalítico ou pela vivência ritualística e simbólica —, mas que a busca por sentido, ética e liberdade permanece um imperativo universal de nossa condição.

 

Conclusão

Este trabalho buscou estabelecer um diálogo entre a obra "O Evangelho Segundo Lacan" e os ensinamentos maçônicos, explorando suas possíveis convergências e diferenças na compreensão do homem, do desejo, dos símbolos e da ética. A análise revelou que, apesar de partirem de diferentes pressupostos e métodos, ambos os sistemas oferecem visões complementares sobre a jornada interior do sujeito.

Lacan, ao enfatizar a estrutura do desejo e a incansável busca por sentido, mostrou que a falta é uma condição constitutiva da subjetividade, e que sua responsabilização por esse desejo é fundamental para a autenticidade do ser humano. Seus conceitos de linguagem, significantes e inconsciente estruturaram uma compreensão do indivíduo como um ser muitas vezes incompleto, sempre em movimento de autoquestionamento e autoconhecimento.

A Maçonaria, por sua vez, apresentou uma visão de que o autoconhecimento, a transformação moral e espiritual pode ser apoiados por símbolos, rituais e princípios éticos. Seus ensinamentos incentivam a busca pela luz, pelo conhecimento e pela perfeição, promovendo uma trajetória de ascensão que, embora reconheça as limitações humanas, aposta na possibilidade de superá-las por meio do esforço consciente e da disciplina.

 

 

 

 

 

 


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